O que é o projeto
Quitutes e Batuques é um festival itinerante de intercâmbio cultural que reúne artistas convidados, artistas locais e moradores em processos de formação, criação e apresentação pública. Durante uma semana, são realizadas oficinas de música, artes cênicas, artes visuais, audiovisual e culinária. Os trabalhos desenvolvidos chegam ao público em um festival comunitário com apresentações, exposição, exibição de vídeos e atividade gastronômica.
Os artistas convidados e locais preparam juntos as oficinas e apresentações. Esse trabalho começa antes da chegada às cidades, por meio de reuniões, troca de referências e elaboração dos planos de atividade. Durante os encontros presenciais, os participantes das oficinas também passam a integrar as decisões e as criações.
Origem e concepção
O Quitutes e Batuques nasceu da trajetória de Coraly Pedroso com artistas, educadores e personalidades brasileiras ligados à música, à formação cultural, à diversidade e ao desenvolvimento social. Essa experiência mostrou que o encontro entre pessoas com repertórios distintos pode gerar obras, métodos de trabalho e relações que permanecem depois de um evento.
Em 2008, durante conversas com instituições culturais europeias interessadas nas experiências brasileiras de convivência entre culturas, Coraly encontrou Duda Moleque Ferreira, músico brasileiro que desenvolvia na França trabalhos de arte-educação e inclusão. Duda reunia a experiência do grupo Moleque de Rua, formado em São Paulo, com práticas desenvolvidas junto a comunidades e instituições francesas.
O encontro trouxe uma questão para o centro do projeto: artistas brasileiros que atuavam no exterior poderiam compartilhar o que aprenderam e, ao mesmo tempo, conhecer práticas produzidas pelas comunidades anfitriãs. Artistas estrangeiros e brasileiros poderiam trabalhar com músicos, cozinheiros, educadores, realizadores e moradores das cidades, tendo uma criação comum como ponto de encontro.
O projeto foi desenhado em 2008 e realizou sua primeira edição em 2009, durante o Ano da França no Brasil. Artistas brasileiros e franceses participaram de oficinas, encontros e apresentações em diferentes comunidades. Os convidados chegaram para compartilhar técnicas e processos, enquanto os artistas e moradores apresentaram suas referências, experiências e modos de fazer. Essa troca formou a base mantida nas edições seguintes.
Cidadania Cultural
A Cidadania Cultural compreende o direito das pessoas de criar, apresentar e desenvolver suas próprias iniciativas culturais. No Quitutes e Batuques, a comunidade participa das oficinas, dos processos de criação e dos festivais comunitários. Os conhecimentos compartilhados podem ser utilizados em trabalhos, apresentações, produtos, serviços e projetos desenvolvidos pelos próprios participantes.
Essa dimensão se relaciona com o empreendedorismo cultural porque oferece contato com técnicas de criação, preparação, produção e apresentação. Uma oficina de audiovisual pode ensinar uma pessoa a registrar atividades de sua comunidade. Uma oficina de culinária pode transformar uma receita e um conhecimento familiar em produto ou serviço. Música, artes cênicas e artes visuais podem abrir caminhos para aulas, apresentações, encomendas e participação em outros projetos.
A formação também amplia as possibilidades de empregabilidade. Os participantes conhecem funções exercidas por artistas, técnicos, produtores, comunicadores e profissionais responsáveis pela realização de atividades culturais. O contato com os convidados e com os artistas locais permite compreender percursos profissionais, formas de organização e possibilidades de continuidade.
A Cidadania Cultural aparece quando uma pessoa reconhece que seus conhecimentos podem dar origem a uma iniciativa e encontra métodos para desenvolvê-la.
Diversidade Cultural
A Diversidade Cultural parte do reconhecimento de que cada território reúne pessoas com origens, identidades, idades, experiências e formas de conhecimento distintas. O projeto coloca essas referências em contato durante a criação de uma música, cena, imagem, vídeo ou preparação culinária.
A presença de diferentes pontos de vista amplia a forma como um grupo observa um tema e encontra soluções. Uma mesma questão pode ser tratada por uma memória familiar, um ritmo, uma técnica visual, uma narrativa audiovisual ou um modo de preparar alimentos. Essa variedade aumenta o repertório disponível e permite que os participantes aprendam a trabalhar com abordagens diferentes das suas.
A diversidade também se relaciona com o desenvolvimento humano sustentável porque aproveita conhecimentos e talentos existentes na comunidade. Quando pessoas com trajetórias distintas participam de um processo, o território passa a reconhecer capacidades que poderiam permanecer separadas ou pouco conhecidas. Artistas iniciantes trabalham com profissionais experientes; conhecimentos familiares encontram técnicas de produção; referências locais entram em contato com experiências de outros países e regiões.
O desenvolvimento resultante desse encontro preserva identidades, amplia possibilidades de criação e oferece espaço para que diferentes pessoas contribuam com aquilo que conhecem.
Cultura da Paz
A Cultura da Paz utiliza o diálogo como método de convivência e criação. Nas oficinas, artistas e participantes precisam ouvir propostas, dividir responsabilidades, rever escolhas e encontrar soluções comuns. A diferença passa a integrar o trabalho do grupo.
A paz, nesse contexto, está relacionada à capacidade de trabalhar em conjunto com respeito às identidades, às crenças e às experiências de cada pessoa. A criação artística oferece um campo em que as diferenças podem ser expressas, conhecidas e transformadas em uma obra compartilhada.
Música, teatro, dança, artes visuais, audiovisual e culinária criam situações de proximidade. As pessoas ensaiam, cozinham, registram imagens, constroem cenas e apresentam seus trabalhos juntas. Esse convívio favorece o hábito da escuta e do entendimento.
As apresentações públicas também levam ao público obras produzidas por pessoas com origens distintas. A arte e a cultura tornam-se meios para gerar respeito, convivência e tolerância.
Resultados esperados
O primeiro resultado esperado é a aproximação entre artistas locais e visitantes. O período de preparação, as oficinas e as apresentações oferecem tempo para que esses profissionais conheçam seus métodos de trabalho, repertórios e interesses.
Essa aproximação pode gerar desdobramentos a médio prazo, como convites, circulação de artistas, novas oficinas, gravações, apresentações e projetos desenvolvidos em parceria. Em edições anteriores, encontros realizados pelo Quitutes e Batuques deram origem a intercâmbios, apresentações internacionais e trabalhos criados depois do festival.
O projeto também busca produzir encantamento diante das expressões culturais encontradas nas cidades. Quando moradores veem artistas de sua comunidade trabalhando com convidados e apresentando seus conhecimentos ao público, essas referências ganham reconhecimento. Esse processo pode despertar o interesse por histórias, músicas, receitas, técnicas e formas de expressão existentes no próprio território.
A comunidade participa da produção e da fruição das atividades. Moradores frequentam as oficinas, contribuem para as criações, acompanham os ensaios e apresentam os resultados. Outros integrantes participam como público, fornecedores, profissionais de apoio e representantes das organizações locais.
Tema da edição: Imigrantes
A edição Quitutes e Batuques – Imigrantes será realizada em Cunha e Atibaia, entre 31 de agosto e 13 de setembro de 2026. Artistas imigrantes, artistas locais e moradores participarão das oficinas, dos encontros criativos e dos festivais comunitários.
O Quitutes e Batuques nasceu da experiência de artistas brasileiros que viviam e trabalhavam como imigrantes na França. Entre eles estava Duda Ferreira, líder do grupo Moleque de Rua, que desenvolveu práticas de formação artística com pessoas de diferentes origens culturais. Esses artistas demonstraram que a diversidade de idiomas, costumes, referências e trajetórias poderia fornecer matéria para processos de criação compartilhados.
Essa experiência deu origem ao formato do festival. Os convidados chegam a uma cidade, encontram artistas e moradores, compartilham seus conhecimentos e conhecem as práticas culturais do território. Durante esse período, todos trabalham em torno de uma oficina, uma obra ou uma apresentação. Cada participante contribui com sua experiência para que o grupo possa criar, produzir e fruir cultura.
Por essa razão, os imigrantes simbolizam o próprio Quitutes e Batuques. São pessoas que se deslocam entre territórios e passam a construir sua vida em contato com outras culturas. Levam consigo idiomas, músicas, receitas, técnicas, crenças, memórias e formas de interpretar o mundo. Ao chegar a uma comunidade, esses conhecimentos encontram hábitos e repertórios locais. Desse contato surgem novas expressões culturais, relações profissionais e maneiras de compreender o pertencimento.
O tema Imigrantes permite observar esse processo por meio das histórias dos participantes. Os artistas convidados poderão apresentar aquilo que trouxeram de seus países, as mudanças ocorridas durante seus deslocamentos e os trabalhos que desenvolveram no Brasil. Os artistas de Cunha e Atibaia apresentarão suas referências e participarão da criação das oficinas e dos festivais comunitários. O público acompanhará como pessoas formadas por culturas distintas tomam decisões, enfrentam diferenças e constroem um trabalho comum.
A escolha do tema adquire importância em um período marcado pelo crescimento de movimentos políticos e discursos hostis aos imigrantes em diferentes países. Essas narrativas associam a imigração a ameaças econômicas, sociais ou culturais e deixam em segundo plano a contribuição dos imigrantes para as sociedades em que vivem. O festival volta o olhar para as pessoas, suas histórias e aquilo que produzem.